Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) identificou que 3.339 servidores públicos estaduais tiveram mais de 70% da remuneração comprometida com descontos em folha, principalmente relacionados a empréstimos consignados.
Os dados se referem ao mês de fevereiro de 2026 e incluem servidores ativos, aposentados e pensionistas. O levantamento revela um cenário preocupante de endividamento, em que parte dos trabalhadores ficou com uma parcela mínima da renda disponível após os descontos.
Segundo o relatório, 2.925 servidores tiveram entre 70% e 90% dos vencimentos comprometidos. Em outros 414 casos, a situação foi ainda mais grave, com descontos superiores a 90% do salário.
O percentual ultrapassa o limite estabelecido pela Lei Estadual nº 16.898/2010, que determina que a soma das consignações não pode exceder 70% da remuneração. Além disso, apenas os empréstimos consignados já possuem um limite próprio de até 35% da renda.
A auditoria também apontou que os descontos incluem tanto obrigações legais, como imposto de renda, previdência e pensão alimentícia, quanto descontos facultativos, como empréstimos, cartões de benefício e seguros.
A maior concentração de casos foi registrada entre servidores da Polícia Militar, que representam 41,2% das ocorrências. Em seguida aparecem profissionais da Secretaria Estadual da Educação (18%) e da Polícia Civil (9,4%).
De acordo com o TCE-GO, cerca de 59,89% do funcionalismo estadual possui pelo menos um contrato de empréstimo consignado, somando mais de 287 mil operações ativas e movimentando aproximadamente R$ 157 milhões.
O órgão alerta que o comprometimento elevado da renda aumenta o risco de superendividamento e pode impactar diretamente na qualidade de vida dos servidores, dificultando o pagamento de despesas básicas e imprevistos. (Mais Goiás)
📸 Imagem: Reprodução/Internet
🗞️ Fonte: TCE-GO / Mais Goiás
✍️ Texto: Rhayza Barros
🎬 Direção: Bianca Feitosa






