Após mais de um mês de conflito no Oriente Médio, Estados Unidos e Irã anunciaram um cessar-fogo provisório de duas semanas na noite de terça-feira (7). No entanto, o acordo já enfrenta fragilidade após novos registros de ataques nesta quarta-feira (8), incluindo ocorrências no Líbano, em ilhas iranianas e em países do Golfo Pérsico.
A trégua previa a suspensão de ataques dos EUA e de Israel contra o território iraniano, enquanto o Irã se comprometeria a reabrir o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo. No entanto, a reabertura durou poucas horas, sendo revertida após novos ataques, o que aumentou a tensão na região.
O acordo também estabelece uma pausa em ações retaliatórias iranianas contra países do Golfo aliados dos EUA, além de prever o início de negociações para um acordo definitivo de paz. As conversas estão marcadas para sexta-feira (10), em Islamabad, com mediação do Paquistão.
Divergências dificultam avanço nas negociações
Apesar do anúncio, há divergências importantes entre as partes. Um dos principais impasses envolve o plano de dez pontos apresentado pelo Irã. O ex-presidente Donald Trump chegou a classificar a proposta como “trabalhável”, mas posteriormente afirmou que apenas alguns pontos são viáveis, enquanto a Casa Branca considera o plano inicial inaceitável.
Outro ponto de conflito é o programa nuclear iraniano. O Irã defende a manutenção do enriquecimento de urânio, enquanto os EUA rejeitam essa possibilidade e defendem a eliminação desse material.
A inclusão do Líbano no acordo também gera discordância. Irã e Paquistão afirmam que o país está contemplado na trégua, enquanto EUA e Israel negam. Ataques israelenses no território libanês nesta quarta-feira deixaram centenas de mortos e feridos, segundo autoridades locais.
Além disso, há desacordos sobre o controle do Estreito de Ormuz, a retirada de tropas norte-americanas da região e a suspensão de sanções econômicas ao Irã.
Cenário segue instável
Mesmo com o cessar-fogo anunciado, denúncias de violações por ambas as partes aumentam a instabilidade. O Irã afirma ter sido alvo de ataques, enquanto países do Golfo relatam ações com mísseis e drones iranianos durante o período da trégua.
O cenário indica que, apesar da tentativa de reduzir as tensões, o conflito ainda está longe de uma solução definitiva.
Fonte: G1.
Foto: REUTERS/Mohamed Azakir.
Reportagem: Larah Hevillyn Feitosa Jales.






