Câncer de próstata mata mais de 16 mil homens por ano no Brasil; diagnóstico precoce segue como principal aliado

Especialista do Hospital Mater Dei Goiânia explica como o preconceito e a falta de acompanhamento dificultam o diagnóstico precoce da doença


O câncer de próstata continua entre os principais desafios da saúde masculina no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país registra cerca de 72 mil novos casos da doença por ano, enquanto mais de 16 mil homens morrem anualmente em decorrência do tumor. Apesar dos avanços nos exames e nos tratamentos, muitos pacientes ainda recebem o diagnóstico em fases mais avançadas da doença.

No Dia Mundial do Câncer de Próstata, celebrado em 11 de junho, especialistas chamam a atenção para a importância do acompanhamento preventivo. Isso porque, na maioria dos casos, o câncer de próstata se desenvolve de forma silenciosa e sem sintomas nas fases iniciais.

De acordo com o urologista Gustavo Lima, do Hospital Mater Dei Goiânia, o diagnóstico precoce continua sendo o principal aliado para aumentar as chances de sucesso no tratamento. “Quando descoberto no início, o câncer de próstata tem altas chances de cura, muitas vezes acima de 90%. O problema é que, nas fases iniciais, ele geralmente não causa sintomas. Por isso, o acompanhamento preventivo é fundamental para identificar a doença antes que ela avance”, explica.

A idade é um dos principais fatores de risco para a doença. A maior parte dos casos ocorre após os 50 anos, e o histórico familiar também merece atenção especial. “De forma geral, recomenda-se iniciar a avaliação aos 50 anos. Porém, homens com histórico de câncer de próstata na família devem começar mais cedo, por volta dos 45 anos. Quanto maior o risco, mais importante é o acompanhamento regular com o urologista”, orienta o especialista.

Doença costuma evoluir sem sinais no início

Um dos principais desafios para o combate ao câncer de próstata é justamente o fato de os tumores iniciais raramente provocarem sintomas perceptíveis. Por esse motivo, muitos homens acreditam que estão saudáveis e acabam adiando as consultas preventivas.

Quando os sinais aparecem, a doença pode já estar em estágio mais avançado. Entre os sintomas mais conhecidos estão dificuldade para urinar, redução da força do jato urinário, presença de sangue na urina ou no sêmen e dores ósseas.

“Dificuldade para urinar, jato urinário fraco, sangue na urina ou no sêmen e dores ósseas podem ser sinais da doença. No entanto, a maioria dos tumores iniciais não provoca sintomas. Por isso, muitos homens só descobrem o câncer quando ele já está mais avançado, especialmente aqueles que não fazem acompanhamento preventivo”, afirma Gustavo Lima.

Segundo o médico, a falta de sintomas continua sendo um dos fatores que contribuem para o diagnóstico tardio da doença.

Mitos e preconceitos ainda afastam homens dos consultórios

Embora campanhas de conscientização tenham ampliado o debate sobre a saúde masculina nos últimos anos, muitos homens ainda resistem a procurar atendimento médico regularmente.

Entre os principais obstáculos estão informações equivocadas sobre os exames preventivos e o receio relacionado à avaliação urológica. “Um dos principais mitos é acreditar que o exame de toque é o único exame necessário. Outro é pensar que, sem sintomas, não há motivo para procurar o médico. Também existe o preconceito e o constrangimento em relação à avaliação urológica. Esses mitos acabam atrasando diagnósticos que poderiam ser feitos precocemente”, destaca o médico.

Nos últimos anos, os avanços tecnológicos têm contribuído para diagnósticos mais precisos e tratamentos menos invasivos. Exames como a ressonância magnética da próstata permitem identificar áreas suspeitas com maior precisão, auxiliando na definição das condutas médicas.

“Hoje contamos com exames de imagem mais modernos, como a ressonância magnética da próstata, que ajudam a identificar tumores com muito mais precisão. Além disso, técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, como a cirurgia robótica, permitem uma recuperação mais rápida, menos dor e melhores resultados funcionais para muitos pacientes”, explica.

Apesar da evolução dos recursos disponíveis, Gustavo Lima ressalta que a prevenção ainda depende da iniciativa dos próprios pacientes. “Apesar da maior divulgação sobre o tema, muitos homens ainda procuram o médico apenas quando apresentam sintomas. O preconceito, o medo do diagnóstico e a ideia de que cuidar da saúde é desnecessário continuam sendo barreiras importantes. Precisamos reforçar que prevenção é uma demonstração de cuidado consigo mesmo e com a própria família”, conclui.

Fonte: Assessoria de Imprensa
Palavra Comunicação

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